As minas na cena BR: sobre o Não Tem Banda com Mina Fest e mais

Sônia Regina
10 Min Read

Confira a entrevista completa com Dani Buarque, vocalista e guitarrista da banda The Mönic!

Foto: Ane Godoneo

Com 10 anos de carreira, transitando pelo underground e, finalmente, ocupando o espaço de grandes bandas do mainstream, The Mönic! é a banda do momento. São elas que estão por trás do “Não Tem Banda com Mina Fest”, evento que será realizado neste sábado e reúne as bandas Deb and the Mentals, Dirty Girls, Ratas Rabiosas e Destroy Boys!

O Quartemo teve a oportunidade de conversar com Dani Buarque, vocalista e guitarrista da The Mönic!, sobre tudo o que tem acontecido com a banda, na organização do Fest e na cena feminina do rock atual.

Essa é a segunda edição do Não tem banda com mina Fest, o que vocês aprenderam com a primeira edição e como estão as expectativas para essa?

É a 17a edição da “Não Tem Banda com Mina”, mas a segunda em formato de Festival. Quando a gente fez a primeira edição do Fest, foi uma collab com a festa da Wina “O Rock é de Todos”. Ali eu já tinha um planejamento de que aquela edição serviria de gancho para a gente ter apoio para um segundo festival ainda maior e com uma atração internacional.

Todos os passos são calculados com projeção lá na frente, mas isso não garante que as coisas vão acontecer. Nesse meio tempo eu precisava achar alguém que comprasse a ideia do festival e embarcasse nessa com a gente, porque não temos dinheiro, só temos ideia e uma força muito grande de trabalho. Para a nossa sorte, o Bruno embarcou com a NDP (New Direction Productions), com a mesma fome de fazer o rolê acontecer. 

Eles são bastante experientes no mercado e já trouxeram várias tours internacionais. O que aprendemos é o que aprendemos em cada edição: juntas somos mais fortes. 

A gente quer que garotas olhem para esse evento e entendam que esse espaço também é delas, elas podem não só existir como também crescer nele.

Destroy Boys é uma banda que muita gente gosta e muita gente estava esperando essa oportunidade de ver ao vivo. E a gente queria entender como está o coração de vocês por dividir esse Fest com o grupo de Sacramento?

Um pouco acelerado, um pouco emocionado e um pouco: “como assim isso tá realmente acontecendo?”. Em uma entrevista que demos há quase dois anos para o podcast do Thunderbird, me perguntaram qual banda a gente sonhava em dividir palco, e eu falei Destroy Boys e mandei um recado pra Alexia “pls come to brazil”. 

É empoderador pra gente quando as coisas que planejamos acontecem, e sabemos o quanto trabalhamos duro para acontecer. Dá força pra continuar.

Destroy Boys é uma banda que a gente acompanha, respeita e vê como referência de atitude, música e posicionamento.  Ter elas aqui, na nossa festa, é simbólico demais. É tipo um abraço entre cenas: Sacramento e São Paulo se encontrando porque mulheres decidiram se fortalecer. Pra quem sonha em ver a cena feminina do rock crescer, esse encontro diz muito mais que um line-up.
 E o que vocês acham que conecta o trabalho de The Monic ao trabalho de Destroy Boys.

A inquietação. A necessidade de falar sobre o que incomoda e de existir num espaço que não foi construído pra gente.

Viver no mundo que a gente vive hoje, com a facilidade de comunicação que permite que a gente fale com qualquer parte do mundo, atravessando milhares de Km’s de barreira, é um privilégio da nossa geração. Ter isso nas mãos e se omitir, para mim, soa como uma traição. Uma traição à revolta de quando a gente não tinha a caneta e o microfone na mão. 

A banda The Monic começou no underground e, hoje, ocupa o espaço de grandes festivais. A gente sabe que para uma banda de underground, chegar nesses espaços já é difícil e a dificuldade aumenta quando falamos de bandas femininas (afinal, sabemos que a cena muitas vezes é dominada por homens). Pra vocês, qual a parte mais importante de todas essas conquistas?

Embora a gente transite nos espaços entre o underground, midstream e mainstream, a gente é uma banda que vive o underground hoje. E a parte mais importante disso é a representatividade. 

É garotas olharem pra gente e pensarem ‘elas tão fazendo isso, e chegando nesses espaços, eu posso também.

E não só para mulheres, mas para todas as bandas underground. Quem tá do nosso lado, acompanhando cada passo nosso, sabe que são 10 anos de corre e os frutos dos nossos sonhos só estão começando a ser colhidos agora, nos últimos dois anos. 
No último ano, várias parcerias marcaram a discografia da banda: Lupa, MC Taya, Eskrota. Seja no lançamento de músicas ou compartilhando o mesmo palco. Que outras parcerias estão no radar de vocês ou que vocês queriam muito fazer acontecer?

Essas parcerias foram muito naturais, porque são artistas que admiramos e que têm essa mesma fome de movimentar a cena. Todos os outros gêneros musicais no Brasil já entenderam que a força coletiva faz acontecer. Vemos artistas consagrados sempre apoiando os novos. Já aqui, falta o mainstream do rock entender isso e apostar em novos artistas, abrir caminho, apadrinhar, qualquer coisa que seja. O mínimo não é feito. Então acho que cabe a gente, como cena, se organizar e se fortalecer, porque no momento é nóis por nóis.

No radar… olha, tem uns nomes que a gente sonha e outros que já estão em conversa. No momento, a gente deu uma pausa com os lançamentos de parcerias, porque em 2025 a gente lançou só um som novo e gravamos quatro collabs – e ainda tem coisa pra sair [!!!]

Mas no disco novo, que está sendo escrito neste momento, esperem muitas collabs SIM.

Quais trabalhos e artistas têm inspirado o trabalho da The Monic atualmente?

Muita coisa. A gente bebe do riot grrrl, do grunge, do hardcore, mas também de artistas atuais que estão renovando essa energia.

O que está acontecendo na cena brasileira com as minas do rap é inspirador demais. Eu pessoalmente estou obcecada na Ajuliacosta, Duquesa, Ebony, N.I.N.A e muitas outras que dominaram a cena. Olho elas com uma carreira brilhante, consistente, com profundidade nas ideias e uma puxando a outra. Não tem como ser mais inspirador que isso. Além delas também me dá muita inspiração ver bandas novas de minas chegando raivosas e com o pé na porta, tô amando cada passo da Cacofonia, Minissaia, entre outras minas mais jovens, que tenho certeza que estão só começando uma história que vai ser importante pra cena..

E quais trabalhos e artistas vocês indicariam para as pessoas que estão lendo essa entrevista? Nacional e Internacional.

No Brasil:

Mateus Fazeno Rock é um dos meus artistas favoritos, lançou esse ano um disco absurdo.

Além de todas as minas que tão no line-up dessa edição, vou recomendar artistas que ouço bastante Mc Taya, Eskröta, Cacofonia, Swave, Madre, Venere Vai Venus e Charlotte Matou Um Cara. São pessoas que estão construindo a cena na raça.

No internacional:

A banda que mais tem me chamado atenção é Die Spitz. São 4 minas absurdas, 3 vocalistas igual a gente haha 

Além delas, ando ouvindo muito Otoboke Beaver, Gouge Away, Scowl, Mannequin Pussy e Pinkshift.

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Serviço

📍 Local: Fabrique Club — Rua Barra Funda, 1071, São Paulo (SP)
📅 Data: 13 de dezembro de 2025 (sábado)
🕒 Horário: Abertura da casa às 15h
🎫 Ingressos: R$ 150 (meia promocional) / R$ 300 (inteira promocional)
🔗 Garanta o seu ingresso

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Criativa de alma emo, com um pé no palco e o outro no planejamento. Escrevo como quem faz um setlist: cada palavra no tom certo.