RETORNO AO BRASIL
Após 13 anos, o The Devil Wears Prada voltou ao Brasil no domingo, 17 de agosto, para uma noite que ficará marcada na memória dos fãs de metalcore. Formada em 2005, em Dayton (Ohio), a banda rapidamente se tornou referência no gênero, combinando riffs pesados, uso de sintetizadores, atmosferas melódicas e letras introspectivas.
Com uma trajetória marcada por clássicos como “Plagues” (2007), “With Roots Above and Branches Below” (2009) e o cultuado EP “Zombie” (2010), além de experimentações em “The Act” (2019), “Color Decay” (2022) e o EP “Chemical” (2024), TDWP sempre ousou, equilibrando brutalidade e emoção.
A primeira turnê brasileira aconteceu durante a era “With Roots Above and Branches Below”, quando o álbum atingiu a posição #11 na Billboard 200, consolidando a banda como referência global do metalcore. Desde então, cada visita ao país tem sido aguardada com ansiedade pelos fãs.

O SHOW EM SÃO PAULO: ENERGIA E CAOS CONTROLADO
O Carioca Club, com capacidade para cerca de 1.000 pessoas, recebeu fãs ansiosos que lotaram o espaço, transformando cada momento em pura catarse. Misturando gritos agressivos e vocais limpos, a banda abriu o show com “Watchtower”, deixando a casa pequeno diante do caos, no melhor sentido.
Em “Born to Lose”, terceira música do set, a plateia já estava completamente entregue, com moshpits na pista e gritos do mezanino. “Salt” pediu ainda mais energia, e o público respondeu pulando e cantando junto.

Meu destaque pessoal vai para “Ritual”, que se tornou um dos ápices da noite. Jeremy DePoyster – guitarra e segunda voz – exaltou a cidade e brincou com os pedidos de “COME TO BRAZIL”, mostrando que o público paulista realmente entrega como nenhum outro.
O show alternou faixas pesadas e melódicas, e momentos como “For You” e “Dez Moines” criaram pura profundidade emocional. Mike Hranica – vocal – entregou guturais brutais, contrastando com os vocais limpos de Jeremy e os breakdowns pesados verdadeiros hinos da banda.
Apesar do pedido insistente por “Assistant to the Regional Manager”, a música não entrou no set, mas não diminuiu em nada a potência da performance.

ESTREIA MUNDIAL E MOMENTOS HISTÓRICOS
O ponto alto da noite foi a estreia mundial de “Where the Flower Never Grows”, faixa inédita que terá lançamento oficial em 21 de agosto. A reação da plateia foi imediata: gritos, celulares erguidos e a sensação de testemunhar um momento histórico.
A sequência final manteve a intensidade: “Chemical”, “Sacrifice”, a inédita “Where the Flower Never Grows”, “Dogs Can Grow Beards All Over” e “Hey John, What’s Your Name Again?” encerraram a noite com peso, técnica e emoção, deixando claro que TDWP continua dominando o palco mesmo após quase duas décadas.

TÉCNICA, PESO E CONEXÃO
No fim, o que se viu foi um espetáculo que uniu técnica, entrega e conexão com os fãs. O The Devil Wears Prada provou mais uma vez porque segue relevante, equilibrando peso, melodia e inovação, e proporcionando momentos de pura energia e emoção para quem acompanha sua trajetória.


