No dia 28 de Fevereiro de 2026, ocorreu no Brasil, o show do lendário album The Emptiness. Como grandes fãs da banda, foi obrigatória a presenção minha e do Kon, nosso querido fotógrafo. O aspecto de fã aqui, é impossível de ser ignorado.
O público compareceu e compareceu bastante. Menos de 1 hora depois da abertura, a fila já estava comprida e com a casa cheia. Os lugares da frente do palco já estavam tomados. O Carioca Clube estava respirando Alesana aquele dia, e todos os presentes estavam animados e bem ansiosos para o evento, prinicpalmente este que vos escreve.

Dado o período do auge da banda, que começou antes do cd homenageado, o público presente fazia jus à toda estética do emo 2000. Olhos pintados, calças rasgadas, correntes e franjas gigantes, o guia completo estava presente ali. O que indica uma renovação do público da banda, ao menos no Brasil.
Algo também a se destacar, é que esta turnê rodou muitos países da América Latina e como é possível verificar no instagram da banda, todos os shows bem cheios e até algumas lotações. América Latina, apesar das influências norte-americanss, segue tendo um gosto próprio sobre quais bandas gosta, diferente do público de lá, que hoje não abraça mais tão fortemente a banda. Uma injustiça, diga-se de passagem.
Abertura
Pontualmente as 19h50, entrava Axty no palco. A banda brasileira de metalcore, com flertes ao deathcore (?), tem alcançado um espaço razoável na cena internacional, inclusive foram elogiados pelo próprio Alesana antes do início do show., ambos já dividiram palco no festival mexicando We Missed Ourselves¹.
Ao iniciarem seu show, é fácil de entender o motivo de estarem chamando a atenção. Qualidade profissional do som, peso extremo e precisão absurda na apresentação. Impressionante e impactante, são as melhores maneiras de definir. Felipe Hervoso, vocalista, traz berros bem executados e bastante agressivos, eventualmente, fazendo grunhidos similares ao que descobrimos com o Will Ramos (Lorna Shore). A execução perfeita se repete a todos os membros. Sem dúvida, uma boa opção de abertura que deixou todos bem preparados para o show principal.
Show
Eventual e pontualmente, os membros de Alesana vão entrando no palco. Cumprimentam o público, Dennis elogia Axty e então o show começa e TODOS começam a recitar a intro de Curse of the Virgin Canvas junto com o áudio. Ao iniciar a música, a casa INTEIRA canta em uníssono com a banda.
Existem vários comportamentos e indicativos de um bom show, público cantando todas as músicas é um deles. Quanto maior o show, mais difícil de se conseguir isso, mas pro Alesana isso não foi um problema.
Ainda na primeira música, era perceptível no rosto das pessoas, a felicidade com o ocorrido. Todos queriam estar ali e estavam felizes de estar vivenciando aquilo.

Sobre a banda em si, vou chover no molhado para quem já acompanha. Presença incrível, e é sempre perceptível como eles amam tocar aquelas músicas. O carisma de Dennis é notório e ajuda a carregar o show no intervalo das músicas, como visto quando o VS deu problema no início de The Thespian.
Shawn apesar de não falar muito, sempre demonstra muito carinho e carisma no seu canto do palco, nos dando direito até ao clássico de guitar spin, logo no começo do show. Todos os membros também estavam visivelmente felizes, em destaque o guitarrista Jake Campbell, que sempre vinha a frente do palco para sentir a energia do show.
O show continua e o público segue cantando tudo e acompanha perfeitamente o clima de cada música do CD, nos levando à catarse do álbum e do show, a faixa Annabel. A música já inicia com um clima de emoção e despedida, mas o auge vem ao final, com o lindo coro de “I handed you a knife and my heart, oh…” recitado pela banda e pelo público, ao mesmo tempo. Foi um momento muito lindo e bastante apreciado por todos os presentes. Fico muito muito feliz de ter vivido isso.

Foto: Kon Fotografia para QuartEMO
Após o termino do CD, a banda se recolhe e todos chamam de volta para o bis. Mas todos mesmo, até os telões da casa mostravam o nome em sequencia “ALESANA ALESANA ALESANA” , enquanto o publico chamava. Quando eles voltam, Dennis primeiro para pra agradecer ao público, fala sobre a emoção de ter um trabalho tão querido por tanta gente a tanto tempo, e ao pedir para levantar o braco quem foi pela primeira vez, percebemos que tinha muito fã de primeiro show ali, eu incluso.
Então, a banda inicia o bloco final, que eram 3 músicas dos outros discos de mais destaque da banda. A iniciar por This Is Usually the Part Where People Scream, música muito querido por mim, depois veio, Beyond the Sacred Glass. Ambas músicas não-hits de discos menos lembrados da banda, porém todas foram muito bem celebradas e cantadas, indicando um público muito fiel a banda.

Foto: Kon Fotografia para QuartEMO
O encerramente não podia ser outro², foi cantando Apology, o grande e maior hit da banda. Do fã antigo ao novo, todos amam esta. E fechou a noite muito bem, com todos cantando as plenos pulmões o refrão, “One last false apology“.
Foi uma noite de emoções intensas e que, na verdade, deixou um gostinho de quero mais. A banda possui uma discografia grande e poderia ter feito um bloco pós-album maior. Porém, o saldo final foi muito positivo. Todos os presentes estavam felizes por ter vivenciado aquilo e querendo mais.

Foto: Kon Fotografia para QuartEMO
Entre o penúltimo e o antepenúltimo show, foram 14 anos de distância, com a tentativa de um que acabou não ocorrendo. Os dois últimos shows provam que a banda ainda tem um fôlego imenso para se apresentar na américa latina, que possui um público tão apaixonado. Espero que tenhamos outro em breve. Obrigado pelo apoio e oportunidade de criação de conteúdo, principalmente a Tedesco Midia e a produtora do evento Aldeia. QUe venham mais!!!
Setlist
- The Emptiness
- Curse of the Virgin Canvas
- The Artist
- A Lunatic’s Lament
- The Murderer
- Hymn for the Shameless
- The Thespian
- Interlude 3
- Heavy Hangs the Albatross
- The Lover
- In Her Tomb by the Sounding Sea
- To Be Scared by an Owl
- Interlude 4
- Annabel
- Encore:
- This Is Usually the Part Where People Scream
- Beyond the Sacred Glass
- Apology
¹ We missed ourselves, é o festival mexicano que trouve bandas da cena post-hardcore e quase desembarcou no Brasil ano passado.
² O melhor encerramente pra mim seria Ambrosia, mas com o tempo, aceitei que Apology é mais querida universalmente.
