E aí, bora mergulhar um pouco no underground português?
Depois de conhecer melhor a cena alternativa em terras lusitanas, comecei a me conectar cada vez mais com o som pesado vindo de Portugal. Assim como no Brasil, quem vive o underground por lá também sente na pele a falta de visibilidade. Mas é justamente isso que torna essa união ainda mais forte e necessária — e poder acompanhar essas bandas de perto é simplesmente incrível.
Hoje, vamos conhecer a SULFITE, banda nascida no Seixal, em Portugal, e que vem fazendo barulho desde 2023. Com uma sonoridade que mistura metal e hardcore na medida certa, a banda entrega peso e atitude, do jeitinho que a gente ama. Se você curte Turnstile ou Deftones, já coloca SULFITE na sua playlist agora!
Formada por Aron (vocal), Tomás Carrasco (bateria), João Borralheira (guitarra) e Rafael Balau (baixo), a história da banda começou muito antes de seu lançamento oficial. “Começamos a tocar juntos aos 13 anos, inicialmente só por diversão, a explorar riffs, experimentar sons e descobrir o que nos fazia vibrar. Durante anos, essas sessões improvisadas foram o nosso escape”, conta a banda. “Passados 10 anos, olhamos uns para os outros e pensamos: ‘Se já vivemos isto há tanto tempo, por que não dar o passo seguinte?’”
E foi assim que nasceu a SULFITE — de anos de amizade, partilhas e uma paixão que nunca esmoreceu. Hoje, como banda, eles querem criar música que desafie, que faça sentir vivos, e que consiga alcançar quem compartilha da mesma intensidade pelo metal.
EP de estreia: Behind the Broken Door
No dia 1º de novembro de 2024, a SULFITE lançou seu EP de estreia, Behind the Broken Door, gravado, mixado e masterizado por Wilson Silva (WRecords Studios), baterista da lendária banda portuguesa More Than a Thousand. O EP mergulha fundo em temas de descontentamento social e pessoal, abordando lutas com vícios, batalhas psicológicas e outros dilemas da existência humana.
Cada faixa representa um passo em uma jornada emocional, levando à descoberta de que as respostas para nossos conflitos estão, muitas vezes, escondidas bem diante dos nossos olhos — por mais quebradas e pouco atraentes que pareçam. Assim nasceu o conceito por trás de “Behind the Broken Door“.
E o nome SULFITE?
Confesso que chamo eles carinhosamente de “os Sulfitos”, mas sempre tive curiosidade sobre a origem do nome. E, para minha surpresa, acertei sem querer! “Escolher o nome da banda não foi fácil. Passámos dias a trocar ideias… até que, num almoço, surgiu a ideia de que a nossa música poderia conter sulfitos, como os vinhos”, explicam.
Os sulfitos, usados para conservar o vinho, também são os responsáveis por aquela ressaca pesada. “Tal como os sulfitos, queremos que a nossa música deixe marca, que se entranhe e provoque aquela ‘ressaca sonora’.” Além disso, como banda da Margem Sul do Tejo, o nome também remete a uma “luta do Sul” — refletindo as críticas sociais e batalhas internas presentes nas letras.
Presença de palco e conexão com o público
Mesmo com poucos shows no currículo, cada apresentação da SULFITE tem sido memorável. No dia 29 de março, participei da VII Mostra de Bandas 2025, organizada pelo Gabinete da Juventude do Município do Montijo, e presenciei um verdadeiro espetáculo da banda.
O local estava lotado, com uma legião de fãs uniformizados com o merch oficial da banda. O que era para ser apenas um concurso virou um show completo, com energia absurda e o EP tocado na íntegra. Um momento mágico, reunindo apreciadores de todas as idades.

Sobre compor, sentir e transformar em som
empre que converso com bandas, gosto de perguntar sobre o processo criativo, porque música é mais do que melodia — é significado, conexão, emoção. Perguntei sobre o single “Behind the Broken Door” e eles foram sinceros: “A maior dificuldade foi aprender os detalhes da indústria. A parte técnica foi nova para nós. Mas quanto ao tema, tudo surgiu de forma natural. Somos movidos pela revolta e queremos passar essa mensagem de forma genuína.”
Sobre as faixas favoritas? “É difícil escolher uma… seria como escolher um filho. Mas ‘Broken Door’ e ‘Mindless’ têm um impacto diferente, por terem sido as primeiras que criamos juntos. Elas marcaram o início de tudo.”
O cenário português e os desafios do underground
A banda acredita que o cenário musical português ainda é dominado pelo pop, mas vê sinais de mudança. “A cultura do metal dos anos 90 está a renascer. Ver jovens ouvindo Korn ou Limp Bizkit é uma motivação. Mas ainda é difícil começar. Faltam apoios, e muito recai sobre as bandas. Mas com persistência, tudo é possível.”
Um dos maiores desafios? Arranjar shows. “O metal ainda não é o estilo mais fácil de colocar em palco. Muitos espaços preferem covers ou pop. Mas não desistimos. Continuamos a fazer contatos, a correr atrás. Sabemos que o esforço vai valer a pena.”
Fãs fiéis e energia única
Mesmo com poucos shows, o que mais impressiona é a fidelidade dos fãs. “Sentimos uma ligação única. O feedback que recebemos tem sido essencial para nosso crescimento. Cada apresentação tem sido uma aprendizagem valiosa.”
Colaborações dos sonhos?
“Turnstile e Landmvrks são referências. Trabalhar com eles seria um sonho. Mas também vemos muito valor em colaborações com bandas nacionais underground, ou até artistas de outros estilos. Seria um desafio incrível e benéfico para a cena.”
Ver uma banda como a SULFITE ganhar espaço é inspirador. Acompanhar de perto esse crescimento tem sido uma experiência surreal, principalmente pra mim, que sempre estive na cena. Viver o underground tuga está sendo transformador.
Se você vive em Portugal, não perca os próximos concertos. E se ainda não pode vê-los ao vivo, corre agora nas plataformas digitais e escuta esse som que, com certeza, vai te pegar de jeito!
E aí, já conhecia a Sulfite? Qual a próxima banda que você quer ver por aqui?
A cena underground portuguesa tá pesada — e eu tô aqui pra mostrar tudo pra vocês.


