Sleep Token e um novo desabafo: Damocles

Rafael Basílio
4 Min Read

Hoje o Sleep Token soltou mais uma faixa, Damocles, do novo álbum Even in Arcadia, que será lançado no próximo dia 9 de maio.

Até o momento, três faixas do novo trabalho já foram reveladas. E como sempre gosto de destacar a particularidade que a arte nos transmite — algo único, moldado pela forma como cada indivíduo absorve —, na minha visão, vai ficando cada vez mais evidente, principalmente nas duas últimas canções lançadas, “Caramel” e “Damocles“, que, por mais que exista uma lore envolvendo a banda, é inevitável não enxergar aqui, mais do que nunca, um desabafo.

Antes mesmo de ouvir o som, o nome da faixa já havia me chamado atenção. Damocles, figura da mitologia grega, é conhecido pela expressão “a espada de Dâmocles”, que representa o perigo constante que acompanha o poder. Dâmocles foi um conselheiro invejoso de Dionísio de Siracusa e pediu para experimentar sua posição de prestígio por um dia. Dionísio aceitou, porém, durante o banquete, mandou pendurar uma espada acima da cabeça de Dâmocles, presa por um único fio, para mostrar o quão frágil e arriscada era aquela posição de poder e destaque.

Na música, como citei antes, esse desabafo ganha contornos ainda mais pessoais. Basta lembrar que o Sleep Token sempre prezou pelo anonimato, mas teve, principalmente através do vocalista Vessel, sua privacidade invadida nos últimos tempos. O peso disso tudo, o medo e a exposição parecem estar representados ali, como se a espada finalmente estivesse balançando perigosamente sobre sua cabeça. E isso fica claro logo nos primeiros versos da faixa:

Well, I’ve been waking up under blades, blue blossom days / If only Damocles would hit me back

Tenho acordado sob lâminas, em dias de flores azuis / Se ao menos Dâmocles me atingisse de volta

  • Waking up under blades“: acordar sob lâminas sugere um estado de tensão constante, como se vivesse à sombra de um perigo iminente. Uma referência direta à espada de Dâmocles.
  • Blue blossom days“: dias de flores azuis criam um contraste poético, pois são belos à primeira vista, mas “blue” carrega também a ideia de tristeza ou melancolia. É como se os dias fossem visualmente bonitos, mas emocionalmente ambíguos.
  • If only Damocles would hit me back“: aqui parece haver um desejo pelo fim da espera. Um tipo de cansaço diante da ameaça constante. Como quem pensa: “Se for pra cair, que caia logo.” Uma súplica por encerramento.

Eu poderia passar o dia todo refletindo e dissecando esse som. Mas deixo aqui essas primeiras impressões, que já resumem bastante a essência da faixa e mesmo em poucas linhas já batem com força. E claro, se tocar em você de alguma forma, ouça, sinta e absorva com o que mais fizer sentido pra você.
Não sei se ainda vem mais alguma surpresa antes do lançamento completo do álbum, mas tenho certeza que estarei de volta por aqui para o review, porque essa banda, sem muito esforço, se tornou a minha favorita!

Ouça o novo single aqui:

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Escrevo, ouço barulho e finjo entender de música desde que me dou por gente. Agora tô aqui, misturando paixão e opinião (nem sempre embasada) pra falar das músicas e artistas que curto.
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