Os paulistas da Terno Rei lançaram no dia 15 de abril o quinto álbum de estúdio da carreira: Nenhuma Estrela. O disco marca um novo capítulo na trajetória da banda, que já vinha explorando os caminhos do indie rock, dream pop e post-punk em álbuns anteriores, e agora parece consolidar sua identidade sonora com um trabalho que equilibra maturidade lírica e sensibilidade musical.
Desde o início da carreira, Terno Rei se destacou por composições intimistas que tocam em temas existencialistas e nas complexidades do amor. Com Nenhuma Estrela, essa abordagem ganha contornos ainda mais sóbrios, refletindo os conflitos e dilemas da vida adulta — aquela fase em que os sonhos já não vêm com tanta facilidade, mas a necessidade de acreditar ainda persiste.
No álbum, Vigília, somos introduzidos ao tom melancólico que permeia todo o disco. É um clima constante, mas não monótono — pelo contrário, ele serve como pano de fundo para variações emocionais sutis que se revelam a cada faixa. Já seu segundo trabalho, Violeta, traz um leve sopro de esperança, com uma harmonia mais pop, embora sem jamais abandonar a profundidade. Em Gêmeos, a nostalgia toma conta, reafirmando a habilidade da banda em evocar sensações com delicadeza.
Se nos álbuns anteriores havia um certo brilho nos olhos, como quem sonha com o futuro e relembra o passado com ternura, agora a banda encara o presente — com suas preocupações, suas noites insones, mas também com lucidez e leveza quando possível. Musicalmente, Nenhuma Estrela transita entre momentos dançantes e outros de pura suspensão etérea, característicos do dream pop, mas é a sobriedade que assume o papel principal desta vez.
O amadurecimento se manifesta de forma clara em faixas como “Nada Igual“, com versos como:
“Há tempos que eu já não mais me iludo,
mas eu preciso sonhar”
Há aqui uma busca por esperança, mesmo que envolta em cansaço ou desencanto. Esse tom segue em “Próxima Parada“, onde sentimentos de culpa e arrependimento ganham forma:
“Eu nunca quis te fazer mudar (eu sei que fiz)
Com tanta intenção
Não pude evitar”
O disco conta com participações especiais de Lô Borges, em “Relógio“, e do duo “Paira“, na faixa Tempo. A produção ficou por conta de Gustavo Schirmer, enquanto a mixagem leva a assinatura de Nicolas Vernhes, conhecido por trabalhos com nomes como Animal Collective, Deerhunter e Wild Nothing.
Terno Rei segue firme com sua formação clássica: Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Maya (guitarra) e Luis Cardoso (bateria). Com Nenhuma Estrela, eles nos entregam um álbum que brilha não por exuberância, mas por intensidade emocional e consistência artística — como uma estrela que, mesmo invisível, ainda guia no escuro.

