No último dia 24 de janeiro, o trio da menores atos — formado atualmente por Cyro Sampaio (guitarra e voz), Celso Lehnemann (baixo) e Gustavo Marquardt (bateria) — lançou seu novo trabalho, FIM DO MUNDO.
O álbum chega com 15 faixas (sendo 12 músicas propriamente ditas, se desconsiderarmos os três atos que o estruturam) e carrega no título exatamente o que se propõe a explorar: a sensação de encerramento, ruptura e, claro, recomeço implícito.
FIM DO MUNDO é dividido em três atos, cada um deles contendo quatro músicas, como se fossem capítulos de um livro que narram diferentes faces de um mesmo colapso emocional.
Cada ato carrega uma parte dessa história que é, ao mesmo tempo, muito íntima e estranhamente universal.
Primeiro ato — VAZIO
O primeiro ato, VAZIO, traz uma sonoridade mais alternativa, casando perfeitamente com letras que nos mergulham naquela sensação incômoda de estar perdido dentro de si mesmo.
Aqui, a banda explora o que o vazio nos traz: confusão, deslocamento, excesso de questionamentos e aquela montanha-russa emocional que, arrisco dizer, lembra muito o processo de luto — aquele estágio em que a gente precisa reaprender a existir.
“Como é que eu posso me arrepender se eu não tinha outra opção?” — esse verso de tudo no mesmo lugar sintetiza bem o sentimento que permeia essa primeira parte do álbum: uma mistura agridoce de resignação e incompreensão diante do que não pôde ser evitado.
Segundo ato — EM DEMOLIÇÃO
Como o próprio nome indica, EM DEMOLIÇÃO chega trazendo mais peso e intensidade. Se no primeiro ato predominava o vazio, aqui é hora de bagunçar tudo: derrubar estruturas, desmoronar certezas e deixar a poeira subir, pra só depois pensar em reconstruir.
A sonoridade acompanha essa virada emocional e agora temos mais informação, mais camadas pra processar, sentir e, claro, enfrentar.
Esse segundo ato, pra mim, entrega a essência mais pura do FIM DO MUNDO. É onde o álbum atinge seu ápice emocional e instrumental.
“Cansei de tanto esforço, não vale a pena ganhar“, do som terremoto, sintetiza bem essa fase: um desabafo cru diante da exaustão emocional.
Terceiro ato — DEPOIS DO SOL E DA CHUVA
Depois do sol (VAZIO) e da chuva (EM DEMOLIÇÃO), chegamos ao terceiro e último ato dessa jornada. E, assim como nos anteriores, o próprio nome já nos dá uma pista do que vem pela frente: um clima muito mais calmo em comparação ao que foi apresentado até aqui.
A sensação é aquela clássica de “depois da tempestade, vem a calmaria” — mas sem ilusões, pois não estamos falando de felicidade plena, e sim de aceitação, de compreensão do que ficou pra trás.
“Eu preciso logo acabar com isso. A melhor saída é em frente“, do som neblina, traduz perfeitamente esse estado de espírito: reconstruir a si mesmo depois que tudo ruiu.
Esse desfecho ainda conta com participações especiais que acrescentam novas camadas de emoção: Ale Sater (Terno Rei) em “gravidade” e Suricato (Barão Vermelho) em “não tem mais verão“.
Depois da última nota
FIM DO MUNDO não é apenas um álbum sobre fins. É também sobre aquilo que vem depois: o peso do que se perde, o silêncio do que permanece e a coragem silenciosa de seguir em frente.
Com sensibilidade e força contida, a banda constrói uma obra que fala mais pelas entrelinhas do que pelos gritos. Um disco que entende que, às vezes, o verdadeiro impacto está justamente naquilo que não é dito. No que ecoa quando tudo já parece ter acabado.
Fomos convidados pela banda para cobrir o lançamento desse disco tão especial, veja as fotos completas clicando aqui.

Foto: Vivs Ramos para o QuartEMO

